CARTAS ZEN

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Um dia, eu decidi que iria morar em Paris. Passei dois anos planejando a mudança, juntando dinheiro e criando coragem, e os últimos seis meses desconstruindo minha vida de até então – abrindo mão dos pertences pessoais, preparando o fim das terapias dos pacientes – até conseguir ir.

Quando lá enfim cheguei, eu já havia passado por uma maratona tão intensa de mudanças e transformações internas e externas que certamente eu já não era mais a mesma pessoa. Não foi fácil finalizar as terapias com as mais de cinquenta pessoas que atendia e não foi fácil reduzir todos os meus pertences a duas malas de trinta e dois quilogramas e alguns euros.

Embora eu houvesse dado início a uma gigantesca mudança, não tinha a menor idéia de por quais experiências eu ainda iria passar assim que aterrissasse em terras parisienses.

Aos 49 anos, eu já havia viajado a lazer por algumas partes dos Estados Unidos e apenas uma vez à Europa – mais precisamente à Itália, porém nunca à França. Eu estava partindo, portanto, para uma verdadeira aventura pessoal.

Sem dominar a língua e tendo chegado junto à crise de 2008, fui obrigada a rever meus planos e tornar a manter contato com o Brasil com o propósito de voltar antes do prazo que eu romanticamente havia determinado.

Foi aí que nasceram as cartas zen e os atendimentos on-line, que me permitiram manter o trabalho e, ao mesmo tempo, continuar usufruindo de Paris.

As cartas zen eu escrevia semanalmente e nelas mesclava minhas experiências cotidianas com um tema filosófico/espiritual/psicanalítico, e assim podia conversar de uma forma mais próxima com as pessoas. Coloquei as cartas num blog que fez sucesso – felizmente – e agora, após toda essa experiência, gostaria de eternizá-las num livro físico, para o meu prazer e o de muitos leitores que, como eu, gostam de abrir um livro para ler.

Como as dividi em temas, pode-se lê-las separadamente, em ordem aleatória, sem que se perca o sentido.

Nestas cartas ficam registrados meus pensamentos. São elaborações do cotidiano que mostram uma filosofia de vida.

Sendo uma terapeuta atuante em clínica há mais de 30 anos, sinto-me com experiência e autoridade para falar da vida. Tenho, de fato, podido ajudar pessoas a fazerem um bom caminho de vida e se encontrarem como seres individuais que são.

Traduzo essas experiências em forma de cartas e abro minha mente e minha vida para falar daquilo em que acredito e de como faço para colocar em prática aquilo de que falo.

Fiz análise durante muitos anos. Sei da importância de mantermos um propósito analítico no nosso cotidiano – é meio como consultar uma bula antes de engolir o remédio.

Para tudo o que vivemos, existe uma emoção que nos acompanha – como se fosse a trilha sonora dos fatos.

Vejo que quase ninguém presta atenção a essas emoções. Se prestarmos, poderemos ter um verdadeiro controle sobre a maior parte das coisas que nos acometem. Se prestarmos, poderemos saber muito sobre nós!

Portanto, nestas cartas eu conto alguns fatos que vivi em Paris enquanto estive por lá e mostro a trilha sonora emocional que os acompanhou. Em seguida, ou concomitante a isso, explico. Espero, com isso, facilitar ao meu leitor olhar para a própria trilha sonora, ou então adquirir um novo olhar sobre o cotidiano.

Espero que gostem!

Carmem Farage.

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