Carta zen 2 – A vida sempre traz dor?

 

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Carmem em Paris

Amigos,

Desde que decidi me mudar, cada passo que dou é realizado sob alguma dor. É realmente doloroso ter que enfrentar todas as dificuldades subjacentes aos meus inesperados limites.

Ah, se eu pudesse saber de tudo antes de dar o próximo passo…

Nessa semana começaram as aulas de mestrado e, logo no primeiro dia de aula, tivemos que nos apresentar aos professores e orientadores. Tudo foi muito frustrante para mim e me colocou em contato com uma dor que eu não conhecia.

Como eu já disse, nunca me faltaram, em tempo algum, palavras e argumentos!

Nunca tive dificuldades em explicar qualquer coisa!

Nessa semana, em função de um vocabulário extremamente limitado somado ao nervosismo por ter consciência disso, fui um verdadeiro fiasco.

Diante daqueles a quem eu mais queria agradar, eu fiquei muda. Minha mente ficou em branco, depois em preto, e as palavras sumiram da minha boca. Eu gaguejei, suei e desisti.

Acho que isso trará um impacto muito negativo em meu processo aqui. Estou muito apreensiva. O golpe em meu ego me coloca em estado de dor.

Não consigo raciocinar direito e, quando me lembro da orientadora fazendo um discurso, muito séria, de como é fundamental que os alunos saibam falar a língua – e ela tem razão -, sinto-me inadequada. Tendo a me culpar por não ter dado estrita ênfase ao aprendizado da língua.

Procuro me convencer com a lembrança dos últimos dois anos: de como não tive tempo absolutamente nenhum para estudar o suficiente entre as obrigações profissionais e domésticas e estive sempre às voltas com as enormes burocracias de documentação e estratégias que consumiam todo o meu tempo livre.

A lembrança, embora traga algum conforto ao meu ego, não resolve o problema. Não muda em nada o fato de que não poderei dar continuidade a um mestrado de psicanálise em Paris se não sei falar francês. Não tira minha dor.

Procuro pensar na dor – a dor que advém do carma, ou seja, a dor pela qual passamos quando repetimos um padrão de comportamento que nos leva direto àquilo que causa mais dificuldades a nós.

Quando chegamos a ter um bloqueio em nossas vidas tão forte que chega a ser físico (doenças, acidentes, obstruções), significa que estivemos tão cegos de nós mesmos, tão fora da nossa caixinha, que chegamos ao cúmulo de provocar algo físico na nossa própria vida.

Sei que algumas pessoas podem questionar o que falo, pois estou afirmando que até os acidentes pelos quais passamos são responsabilidade nossa, advindos do nosso carma!

Isso pode ser interpretado como sendo radical da minha parte.

Porém, eu me recuso a interpretar a vida como sendo uma roleta russa – aleatória.

Eu realmente penso que tudo, absolutamente tudo pelo qual passamos é fruto de nossa experiência cármica.

Portanto, tudo é necessário para provocar transformações em nós.

Acho que não preciso dizer que estou agora pensando que o obstáculo pelo qual estou passando é fruto de minha própria negligência, hábito ou padrão da minha personalidade aquariana com ascendente em Gêmeos, que acha que pode tudo.

Estou aqui me lembrando da minha avó, que também se chamava Carmem, chamando-me de “Chiquita do Medeiros”. Lá, na roça, onde ela morava com seus pais quando pequena, havia uma senhora chamada Dona Chiquita, que era casada com o “Seu” Medeiros. As mulheres tinham por hábito reunir-se com certa freqüência para costurar. Enquanto as mulheres faziam, por exemplo, duas calças e cinco camisas por dia, a Dona Chiquita fazia dez calças e quinze blusas por dia. Porém, não se podia olhar sua produção de perto, porque ela não era lá muito boa com o acabamento das peças – mas era a que mais produzia. Minha avó me chamava do nome dessa senhora obviamente porque minha personalidade é semelhante. Eu sou aquela que mais produz, porém, não me atenho a detalhes! Eu sou a “Chiquita do Medeiros” e preciso mudar! Penso que posso sair fazendo tudo sem me ater aos detalhes porque, no fim, tudo dá certo.

Não, eu não posso tudo… ou melhor, posso tudo (aplaca meu ego… hehehe), desde que eu seja detalhista, saia do mundo da lua para planejar com maior cuidado antes de dar saltos tão grandes quanto esse.

Se a gente não parar para pensar em qual lição essa experiência dolorosa está nos trazendo, nossa tendência será fugir de qualquer maneira.

Se nosso problema é no casamento, tenderemos a querer a separação. Se é no emprego, pedir demissão nos parece o mais fácil a fazer.

Só que fugir sem analisar não nos fará aprender a lição correta para passarmos para as próximas etapas superiores da vida e, ao invés disso, alimentaremos a roda cármica, atraindo a repetição das mesmas coisas.

A dor precisa ser experimentada, analisada e compreendida. Em seguida, necessitamos lutar contra nós mesmos e mudar nosso padrão de comportamento.

Não é fácil, mas somente assim estaremos no ritmo certo do avanço evolutivo.

Quando seguimos o fluxo cármico, agindo conforme devemos, a vida acaba nos proporcionando, naturalmente, uma dificuldade por vez, e tudo fica mais leve e possível. Caso contrário, os obstáculos acabam por ficar cada vez maiores até chegarmos ao ponto da estagnação, e estaremos sujeitos a verdadeiras tragédias pessoais.

Muitas vezes, a dor é fruto de experiências muito antigas, podendo vir de vidas passadas ou dos primeiros anos de vida, de forma que nos sentimos muito impotentes para combatê-la.

Para isso, temos os processos terapêuticos a nosso favor, que podem nos levar às origens daquilo que queremos saber para que possamos corrigir o presente.

Devemos, portanto, compreender os motivos do sofrimento experimentado, mantendo uma atitude de aceitação ativa que poderá nos permitir realizar uma evolução através do aprendizado humilde, cujo princípio é o de que a dor que estamos sofrendo é justa, advinda do nosso processo cármico.

Se eu adotar uma atitude de vítima da vida, ou de revolta, ou de afastamento da dor, o resultado será uma perda de tempo, fazendo adiar aquilo que acabará chegando de qualquer maneira.

Devemos também lembrar que, durante nossa jornada cármica, contamos com ajuda espiritual. Torna-se fundamental acionar essa ajuda. Buscar a presença de nossos mentores de luz traz calma e a certeza de que nossa luta não é em vão.

Buscar a luz nos desprende da matéria e facilita o processo de mudança.

Bem, agora vou pensar nas providências que devo tomar a fim de solucionar na prática meus problemas – não antes de fazer uma boa meditação para pedir ajuda e clareza aos mentores.

Boa semana, amigos!

Atenciosamente,

Carmem Farage

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