Carta zen 11 – O Aparelho Psíquico

Paris, 23 de maio de 2009
Caros amigos,
esta semana recebi uma carta (mail) de uma pessoa que lê nossas cartas zen, onde ela  fala que, embora tenha muitos conhecimentos espirituais, a vida dela não está  boa e que simplesmente não consegue colocar o que sabe em prática! E me pergunta: porque?
Na verdade, essa é a questão! Todos nós nos identificamos com isso, certo? Não é facil, nem simples fazer o que sabemos que é o certo. Normalmente somos vencidos por…….nós mesmos!
Existe um ditado revelador: somos nossos piores inimigos! Fato!
Mas, o que isso realmente significa? Se de fato damos rasteiras em nós mesmos, o que acontece? Quero dizer: que mecanismo interno é este que desconhece a lógica e ignora a razão?
Bem, precisamos saber que somos aparelhos físico-psíquicos, com uma alma dentro. Ou seja, além dos limites do nosso corpo que nos faz apreender o universo através de apenas cinco sentidos: visão, audição, tato, olfato, paladar,  ainda temos o aparelho psíquico que é regido por leis e limita nossa razão em função dos desejos (impulsos em direção ao prazer).
Ficou difícil? Então vamos ter que pensar um pouco no que Freud nos ensina. Somos máquinas desejantes e nossos desejos, o mesmo que nos animais vamos chamar de instintos,  nem sempre combinam muito bem com o que precisamos ou devemos fazer!
A instância psiquica é feita de Ego, ID, Superego. Compreender o Ego é simples. Eu o comparo à tela do computador, onde temos disponível aquilo que queremos para o uso imediato.
Portanto, meu ego, no sentido psicológico do termo, não briga com a minha razão: eu sei, eu me lembro, eu faço. O ID é o que chamamos inconsciente. Neste, jazem minha história e já não me lembro mais dela. Mas embora já não me lembre, ela está gravada, registrada, e mais, fazendo parte de uma engrenagem que trabalha de forma involuntária, à revelia da minha razão. Se as lembranças são boas, tranquilas e, digamos « digeríveis », tudo bem, vamos assimilando a vida e utilizando as lembranças como experiências que nos auxiliam no processo evolutivo , que significa vencer os impulsos em favor da razão.
Mas, se por algum motivo, essas lembraças se embaraçam, entram em desacordo umas com as outras, e isso pode acontecer por diversos motivos, então, ela entra em conflito com minha razão e minha lógica, gerando um conflito entre eu e eu mesma, ou seja, entre meu Ego e meu ID, entre consciente e inconsciente: sabemos que não devemos, temos conhecimento consciente de coisas importantes para nosso crescimento, mas, temos desejos e angústias inconscientes que nos impedem de fazer aquilo que queremos e sabemos.
O superego é quem tenta fazer o trânsito entre Ego e Id. Digamos que o superego é o guarda de trânsito que organiza o fluxo das emoções, não permitindo que o inconsciente nos invada totalmente; o que seria um caos, pois o inconsciente é povoado de impulsos que visam apenas a satisfação dos desejos.
Permitam que eu dê a vocês uma definição mais precisa do inconsciente sob 3 pontos de vista para que se tenha uma idéia do seu funcionamento:
Do ponto de vista descritivo:
O inconsciente só poderá ser definido a partir de seus produtos. Em si, ele é apenas suposto. Só poderemos visualizá-lo a partir de suas manifestações: Lapsos, atos falhos, falas ou imagens inesperadas, sonhos, esquecimentos, improvisos da arte ou sintomas neuróticos ou psicóticos, que surgem abruptamente e transcendem nossas intenções e nosso saber consciente (driblam o superego).
Estamos portanto diante de um fenômeno que se consuma independentemente de nós e que, no entanto, determina aquilo que somos.
Do ponto de vista sistemático
Ele é um sistema estruturado como uma rede de representações. Desta forma, a fonte de excitação chama-se representação de coisa e os produtos finais são manifestações deturpadas do inconsciente. O sonho é o melhor exemplo disso.
Do ponto de vista dinâmico.
Recalcamento.
Há uma luta entre a energia que impulsiona e o recalcamento que resiste. As produções finais serão escapadas dissimuladas do inconsciente subtraídas à ação do recalcamento. Esses derivados mascarados do recalcado chamam-se retornos do recalcado, produtos do recalcado ou, produtos do inconsciente. Como os sintomas neuróticos, por ex.
Quero com isso mostrar a vocês que temos um universo emocional que desconhecemos em nós mesmos. Portanto, é nosso emocional que determirará a evolução do nosso espírito.
É  nossa estrutura psíquica que servirá  de ponte entre nosso corpo e nosso espírito. Portanto, se esta estrutura psíquica está, de alguma forma, comprometida, a ponte falha e nós não conseguimos “enxergar” as coisas do espírito, as coisas mais sutis. Dizemos então que  falha o nosso sexto sentido! Ou que nossos desejos (inconscientes) são imperativos!
O trabalho realizado nas terapias será justamente o de, tendo acesso ao inconsciente através das diversas técnicas, desbloquear a “ponte”, dar consciência ao inconsciente, dar primazia à razão. Devolver-nos à nós mesmos!
Na próxima carta zen,  falarei sobre a técnica psicanalítica e os novos métodos que podemos utilizar para conhecer o inconsciente.
Tenham todos uma ótima semana!
Abraços!
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