Carta zen 40 – Não há o que perdoar!

Meus amigos,

E’ comum nos depararmos com obstáculos da ordem do emocional vinculados a sentimentos de mágoa, revolta e injustiça. Ao nos sentirmos assim ficamos extremamente incomodados, com um mal estar muito grande, como se o mundo estivesse em dívida para conosco.
Não preciso dizer o tanto que isto é paralizante em nossas vidas e arrastamos correntes, prisioneiros do passado, impedidos de que se abram as portas do futuro.

Já vi, inclusive, pessoas que culpam a Deus, revoltados com o que “Ele deixa” acontecer, que nos faz sofrer.

E, quantas vezes já ouvimos alguém dizer: você precisa aprender a perdoar! Perdoe fulano, perdoe…
Na verdade, quando estamos atolados até o pescoço com nosso sofrimento, que só a gente sabe o tanto que dói, fica complicado acionarmos o perdão.
Mesmo depois, já recuperados dos tombos, como perdoar aqueles que nos viraram as costas ou nos empurraram para o abismo?

Bem, devemos pensar nisto tudo de forma a estabelecer dentro de nós uma condição que nos fará encarar a vida desconectando-nos dos seus resultados. (Estou aqui com vontade de rir pois isso parece mágica. Imagino o que você, amigo, está pensando agora!)

Calma, na verdade é simples. Vamos fazer um raciocínio.

Imagine se deixo cair um copo e ele se quebra. Mesmo que eu prove que foi sem querer, que eu não tive absolutamente a intenção de quebra-lo, ele se  quebrou mesmo assim. Portanto, para toda ação há uma reação. Se eu deixo o copo cair, ele se quebra: fato!

Nos nossos vínculos pessoais tudo acontece da mesma maneira. Diante de nossas necessidades pessoais, esbarramos nos limites do outro e, mesmo que sem intenção, mesmo sem querer, quebramos estes limites e atingimos o outro. Diante do rompimento dos limites, o outro terá que lidar com os cacos que o atingiram e, no movimento, esbarra em outros limites, numa cadeia interminável que, na verdade, gera um movimento cósmico que traduziremos como aprendizado.

Certamente, se observarmos bem, da próxima vez redobraremos os cuidados ou teremos tido bastante experiência e evitaremos as quebras, aprendendo assim a caminhar, ao máximo possível, dentro de nossos próprios limites, respeitando o limite do outro.

Diante das leis inevitáveis do universo, como vamos nos culpar ou culpar o outro pelo que não pudemos ter ou dar?

O outro faz o que pode, faz o que crê, faz o que sua necessidade determina como sendo o certo daquele momento de sua existência.

Não há o que perdoar!

Não perca tempo com isso. Esqueça o perdão. Viva a vida compreendendo que estamos todos dando braçadas num imenso mar de lamas, tentando sobreviver, tentando salvar a nós e àqueles aos quais amamos.

Faça melhor: deixe Deus fora disso. O caminho do aprendizado já é demasiadamente longo até podermos alcançar a compreensão divina.

Tudo o que podemos saber agora é que “ELE” nos enviou um “cipó” chamado “fé” para que possamos nos agarrar enquanto tentamos aprender e finalmente sair daqui.

Uma passagem sábia que pude observar nessa vida foi quando o Papa João Paulo foi visitar na prisão aquele que tentou tirar sua v ida.
Quando os repórteres perguntaram a ele se havia perdoado ao homem, ele de pronto respondeu:
“Não há o que perdoar!”.

Um abraço!

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